É assim que o mundo muda. Amanda Morais, a mutuense que levou alegria às crianças órfãs do Congo

Texto por Júnior Nazario
A introdução desta história mostra que o trabalho social sempre foi a vida da jovem Amanda, que desde criança sonhava em poder fazer mais, fazer mais por alguém que ainda nem conhecia, mas que dentro de si, sabia que podia sim, mudar o mundo de uma pessoa. E quando ela descobre que essa pessoa não seria apenas uma criança, mais centenas, milhares delas. Aí percebe que pode realmente mudar o mundo daquela vida, com “pequenas ações” e muita coragem.
Mas no caso da Amanda Morais, não foram pequenas as ações, foram quase dois anos de dedicação embrenhada num dos países mais assolados por conflitos na África, a República Democrática do Congo. Então a jovem engenheira despediu-se dos amigos e familiares, desapegou-se de seus bens e reaprendeu a viver, dedicando-se como voluntária no Projeto Órfãos do Congo, da Organização Humanitária Fraternidade Sem Fronteiras. “Foi amor à primeira vista. Cheguei primeiramente no Malawi e fiquei num campo de refugiados com mais de 55 mil pessoas, a maioria refugiadas do Congo, mas ainda sim fiquei encantada, por fazer parte daquela história, por poder ajudar”, conta Amanda, que conhecia ali, a realidade mais triste de sua vida.

O sentimento humanitário
“Desde criança já tinha como destino a África e sempre senti vontade de fazer trabalho humanitário, de servir. Sempre me envolvi em serviço social. Sempre tive afinidade com a orfandade. Me inscrevi como voluntária como professora para crianças órfãs no Peru aos 24 anos, mas ao invés disso, abriguei e tentei adotar uma criança, mas não deu certo”.


O projeto Órfãos do Congo começa a desenvolver para ela, num congresso que participou em 2022 em Uberlândia – Encontro da Fraternidade Sem Fronteiras, com o objetivo de mobilizar voluntários, apresentar a ONG para mais pessoas e convidá-las a se engajarem tanto no apadrinhamento quanto no voluntariado”, e não pensou duas vezes. “Quero ser voluntária!”
O Fraternidade sem Fronteiras, é uma organização humanitária internacional que atua em nove países, levando esperança e transformação a comunidades em situação de extrema vulnerabilidade, que desenvolve ações em países da África, no Brasil e nos Estados Unidos por meio de projetos humanitários. Amanda acompanhou uma dessas caravanas e conheceu a realidade daquelas pessoas refugiadas de guerra, que moram em casas de barro cobertas com lonas, onde passam fome, sede, não têm acesso a serviços de saúde e educação. As caravanas acontecem para que pessoas possam conhecer essa realidade e ajudar, levando esperança, atendimentos e procedimentos de saúde, entre muitas outras atividades.

Amanda se inscreveu como voluntária na primeira oportunidade, e mergulhou no universo de solidariedade da fraternidade. Atravessou o oceano e presenciou os valores fraternos que une a verdadeira missão, dedicação e aprendizado para toda a vida. “Não consegui ir para o Congo como eu queria. A primeira experiência foi em Malawi, onde conheci a realidade de milhares de crianças órfãs, em um campo de refugiados em sua maioria, todas fugidas do Congo. Conheci até uma princesa, que se refugiava naquele campo”, conta.
A engenheira passou por dias em caravana, ajudando como podia – contando histórias, cantando e até auxiliando médicos e dentistas. Uma verdadeira imersão de vivência em fraternidade. “Eu como engenheira, pensei que não teria muito o que fazer, já que tudo é bem precário por lá, mas me enganei. Dá para fazer muitas coisas, ajudar de todas as formas, afinal, são crianças muito carentes, de tudo.”
Contudo, chegou a hora de se despedir, a caravana tinha que voltar. Mas Amanda, não! Queria continuar. E quando retorna ao Brasil, sua vida não era mais a mesma. Sentia falta de tudo aquilo, sua vida já tinha outro sentido – queria voltar e assumir seu posto de “Mama”.
A volta para África
Entusiasta do que vivenciou, Amanda sentia a todo instante o desejo de ajudar mais. De sua breve passagem pelo campo de refugiados a mais de oito mil quilômetros de sua casa, a cada momento se fazia necessário sua volta para a Fraternidade Sem Fronteiras. E buscou ajuda para se integrar ao grupo mais intenso do projeto – Projeto Órfãos do Congo – Projeto este que se avizinhava à guerra. O projeto de milhares de crianças órfãs ocasionadas pelos conflitos armados incessantes, gerando a maior crise humanitária na República Democrática do Congo.

“Eu entendia dos riscos. Mas ser voluntária é uma continuidade do que sempre busquei na minha vida. Sinto que aprendi muito com essa experiência, ainda mais depois de conhecer aquelas crianças. E sentir esse reconhecimento genuíno dessas crianças, não tem preço.”
“O desejo era tanto, que cheguei a sonhar com isso. Sonhei construindo uma escola e que precisavam de mim. No dia seguinte recebi uma ligação do Wagner Moura, fundador-presidente da Fraternidade Sem Fronteiras, que iniciou o projeto em 2009.” Em ligação, o presidente da ONG convida Amanda para assumir um cargo na entidade e morar no Congo. Ela de imediato aceitou, não pensou duas vezes, vendeu seu carro, doou suas coisas, desfez a sociedade da Arquitetalle com sua irmã e embarcou novamente para a África.

Amanda desta vez desembarca na fronteira da República Democrática do Congo, na parte baixa do lago que divide os conflitos – Lago Kivu. Áreas próximas aos ataques de grupos rebeldes que somam mais de 125 facções, incluindo o M23. Região estratégica para resgate de crianças órfãs de seus pais mortos na guerra. Porém a voluntária chega onde ainda havia a presença da ONU, que realizava um trabalho em missão de paz.
“Fui escolhida para trabalhar com o financeiro do projeto. Eu fazia a contabilidade na maioria das vezes a noite, pois não havia tempo durante o dia, precisava cuidar de crianças que chegavam a todo instante machucadas, desnutridas. Todo mês era “a espera de um milagre”, financeiramente falando. O custo da operação gerava em torno de 40 mil dólares e arrecadávamos em média de $30 mil. Mas sempre no final de cada mês acontecia um milagre”, conta Amanda relatando o desespero de cada dia, para manter a instituição em funcionamento.
“Este é um projeto de Deus. A minha fé não chega perto da fé que aquelas crianças têm. Eu aprendi muito!”
A Fraternidade fundada por Wagner Moura, foi criada por um grupo de amigos voluntários em um churrasco beneficente, do qual arrecadaram R$ 25 mil quando deu-se o início da Organização Humanitária Fraternidade sem Fronteiras (FSF), e hoje ela é mantida através de doações que chegam do mundo todo. Amanda era responsável por todo o recebimento e o destino dos valores. “Quando ouço as pessoas dizendo que não doam dinheiro, por desconfiar deste Projeto (FSF), eu as convenço do contrário. É preciso conhecer as organizações primeiro. Existe muita seriedade e eu sou prova disso. Existem erros, existem acidentes, mas aquelas crianças precisam muito do olhar do mundo voltada para elas e para que isso chegue, é preciso voluntários, é preciso doação, é preciso de dinheiro”, completa.
OS ÓRFÃOS: OU ERAM RESGATADAS OU ERAM ASSASSINADAS
“Eu recebi várias críticas a respeito da ação humanitária que a FSF faz junto aos órfãos – ‘Você acha que vai mudar o mundo fazendo isso?’ Então me pergunto o que seria do mundo se todos pensassem dessa forma? Posso não mudar o mundo com essa atitude, mas acredito que posso mudar o mundo não somente de uma criança, mas de centenas delas. E alguma dessas crianças pode nascer um líder e então, esse líder, muda a realidade daquela gente, e por consequência, muda o mundo”, exalta Amanda ao responder uma crítica em sua rede social.


Amanda participou de resgates de mais de 200 crianças do Congo. “Nós contratávamos motociclistas na região. Essas pessoas se passavam por comerciantes e transportavam as crianças em suas motos, já que as estradas eram bloqueadas por rebeldes, nos impedindo de transitar. Carregavam de 5 a 6 um uma única viagem que durava em média de 6 horas, em meio à guerra, encontrávamos a equipe após a barreira dos rebeldes, e dali, as crianças eram levadas diretamente para hospitais, para depois, então, serem encaminhadas para o orfanato. Havia crianças que caminhavam cerca de 80 quilômetros a pé, com deficiência, chegando num campo de refugiados, e lá, resgatávamos para nosso orfanato.”
Mas o trabalho de resgate por estes voluntários teve que ser abortado. Diante o avanço da guerra, a ONU anunciara a retirada de seus soldados, intensificando os combates naquele território, obrigando a FSF a transferir os centros de acolhimento para Burundi, um pequeno país vizinho, para garantir a segurança e a continuidade do cuidado a mais de 400 vidas entre voluntários e resgatados.
Logo após a retirada da missão pacificadora, os rebeldes invadem Goma e muitas pessoas e crianças são mortas, mas não as crianças que estavam no projeto, pois essas estavam a salvo.
Projeto do coração
Um movimento fraterno será sempre uma história escrita por muitas mãos. A Fraternidade sem Fronteiras (FSF) nasceu do coração de um homem, Wagner Moura, mas alcançou e ajuda cada dia mais pessoas pela união de vários corações fraternos, a Mama Amanda é uma delas.


“Sinto-me extremamente agradecida, por tudo que aprendi. Esse projeto não precisa de mim, eu preciso dele. Aprendi muito e provei minha fé. Assisti crianças com uma fé enorme, que com tanto sofrimento, não tiravam o sorriso do rosto. Eles possuem uma força que a gente não consegue explicar. Crianças que comem arroz e feijão num dia, ensopado com folha de batata doce ou folha de mandioca com uma massa feita apenas com farinha de milho e agua no outro dia, sabem dividir o pouco que têm. E são gratas e felizes! Isso é a força que me faz sentir especial, ter vivido com eles. Ser Mama, ser voluntariada, ser Fraternidade sem Fronteiras.”
Apadrinhamento que salva vidas
Como manter o trabalho de assistência e criar condições para acolher ainda mais crianças em situação de extrema carência? Surge a ideia do apadrinhamento. A contribuição de R$ 50,00, por mês, garantiria a entrada e permanência de uma criança no projeto. Cada pessoa que abraçasse o projeto abriria vaga para mais uma criança. As doações avulsas e promoções seriam para a estrutura e montagem dos centros de acolhimento.

O convite ao apadrinhamento, aos poucos, foi sendo acolhido no coração de muitos, milhares de padrinhos, no Brasil e também no exterior. Anos mais tarde, em 2017, uma decisão necessária: o apadrinhamento passou a ser para o projeto e não mais para uma criança determinada. Isso porque o ritmo de crianças que entravam no projeto era muito maior do que a capacidade de construir e equipar os centros de acolhimento.

É lançada a campanha Estrutural Moçambique e a contribuição dos novos padrinhos passa, então, a ser destinada para construir cozinhas, banheiros, salas para atividades pedagógicas, viabilizando a estrutura mínima necessária ao acolhimento das crianças. O sistema de apadrinhamento é o coração de todos os projetos da Fraternidade sem Fronteiras (FSF).
Você também pode fazer parte, entre no site do Fraternidade Sem Fronteiras e seja um padrinho do projeto Órfãos do Congo!
https://fraternidadesemfronteiras.colabore.org/apadrinhecongo/single_step
Como manter o trabalho de assistência e criar condições para acolher ainda mais crianças em situação de extrema carência? Surge a ideia do apadrinhamento. A contribuição de R$ 50,00, por mês, garantiria a entrada e permanência de uma criança no projeto. Cada pessoa que abraçasse o projeto abriria vaga para mais uma criança. As doações avulsas e promoções seriam para a estrutura e montagem dos centros de acolhimento.
O convite ao apadrinhamento, aos poucos, foi sendo acolhido no coração de muitos, milhares de padrinhos, no Brasil e também no exterior. Anos mais tarde, em 2017, uma decisão necessária: o apadrinhamento passou a ser para o projeto e não mais para uma criança determinada. Isso porque o ritmo de crianças que entravam no projeto era muito maior do que a capacidade de construir e equipar os centros de acolhimento.
É lançada a campanha Estrutural Moçambique e a contribuição dos novos padrinhos passa, então, a ser destinada para construir cozinhas, banheiros, salas para atividades pedagógicas, viabilizando a estrutura mínima necessária ao acolhimento das crianças. O sistema de apadrinhamento é o coração de todos os projetos da Fraternidade sem Fronteiras (FSF).

VOCÊ TAMBÉM PODE FAZER PARTE, ENTRE NO SITE DO FRATERNIDADE SEM FRONTEIRAS E SEJA UM PADRINHO DO PROJETO ÓRFÃOS DO CONGO!