O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais incidente na população masculina em todas as regiões do país, atrás apenas dos tumores de pele não melanoma. No Brasil, estimam-se 71.730 novos casos de câncer de próstata por ano para o triênio 2023-2025. Atualmente, é a segunda causa de óbito por câncer na população masculina, reafirmando sua importância epidemiológica no país (Instituto Nacional do Câncer – INCA, 2022).

Segundo o último levantamento do INCA, em 2023, o câncer de próstata causou a morte de aproximadamente 17.000 homens no Brasil, o que equivale a cerca de 47 óbitos por dia, ou uma morte a cada 38 minutos.
Um dos principais exames utilizados no diagnóstico, o toque retal, ainda é cercado de tabus, o que pode retardar o início do tratamento, diminuindo o tempo de vida dos afetados e aumentando o número de óbitos.
O câncer de próstata é hoje um dos grandes problemas de saúde pública. Sua incidência cresce gradativamente conforme a idade da pessoa, sobretudo a partir dos 50 anos, tendo se tornado mais frequente com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento populacional. A doença acomete a próstata, um órgão do sistema urogenital que fica um pouco abaixo da bexiga, responsável por produzir uma série de substâncias que compõem o sêmen ejaculado. Dessa forma, ela cria as condições favoráveis para o espermatozoide ao longo da sua trajetória até conseguir a fecundação.
- Fatores de risco
Os dois principais são a idade e a hereditariedade. Sabemos que as pessoas com parentes de primeiro ou segundo grau (pais, irmãos ou tios consanguíneos) que tiveram o câncer têm uma probabilidade até nove vezes maior de também desenvolverem o tumor. Então, é importante que esses homens façam os exames, para eventualmente conseguir diagnosticar a doença em um momento favorável, quando ainda há uma boa chance de cura.
Ademais dos fatores citados acima, homens negros têm maior risco e formas mais agressivas da doença. Alimentação rica em gorduras saturadas e pobre em vegetais pode contribuir para o risco aumentado.
- Como a doença se manifesta?
Não se pode confiar apenas em sintomas quando tratamos do câncer de próstata, pois a doença costuma ser assintomática em estágios iniciais e boa parte dos sinais são inespecíficos.
Os pacientes podem relatar dificuldade para urinar, necessidade de esvaziar a bexiga várias vezes ao dia e durante à noite e jatos fracos, sintomas que se confundem com condições benignas mais comuns.
Em casos avançados, em que o tumor se disseminou para outros órgãos, os homens podem apresentar dor óssea, insuficiência renal e infecções. A presença de sangue na urina também pode ser um alerta para tumores urológicos no geral, incluindo o de próstata. Isso reforça a importância de ter os exames de rotina em dia, já que eles ajudam a diferenciar alterações benignas das potencialmente malignas.
- Diagnóstico e Detecção precoce
A detecção precoce é fundamental para aumentar as chances de cura. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens a partir dos 50 anos realizem exames periódicos, como o toque retal e o exame de PSA (antígeno prostático específico).
Inicialmente, recomenda-se o exame de PSA, o antígeno prostático específico, uma proteína que o órgão produz. Quando o nível dessa substância está elevado no sangue, é um sinal de alerta de que pode haver um tumor. Outro exame utilizado no rastreamento é o toque retal, por meio do qual o médico consegue sentir um nódulo, uma área endurecida. É importante fazer ambos, pois são complementares. Sabemos que até 30% das pessoas com câncer de próstata têm o PSA normal. Então, é fundamental agregar um segundo teste para aumentar a sensibilidade do check-up.
Quando persiste a dúvida, pode-se solicitar, em alguns casos, a ressonância magnética. Esse exame consegue evidenciar com muita precisão o tecido prostático, mostrando áreas suspeitas de malignidade. Tudo isso orienta o médico para a necessidade de realizar ou não uma biópsia, fundamental para o fechamento do diagnóstico. Ela vai determinar se há um tumor, seu tipo e a agressividade, impactando diretamente a escolha do tratamento.
- Opções de tratamento
O ideal é sempre descobrir a doença ainda no estágio inicial, quando está restrita à próstata, porque há perspectiva de cura do paciente, com radioterapia ou cirurgia. O procedimento cirúrgico oferece uma taxa de cura um pouco maior, embora também tenha efeitos colaterais e os riscos inerentes a uma intervenção de grande porte. Pode ser feita de forma convencional (cirurgia aberta por corte) ou minimante invasiva, por videolaparoscopia convencional ou por via robótica.
A cirurgia robótica é considerada um pouco mais segura, com menos risco de complicações que a técnica convencional, mas as chances de cura são muito semelhantes.
Em casos de doenças avançadas, ou seja, quando o câncer já extrapolou a próstata, comprometendo outros órgãos, as opções são basicamente de controle da doença com medicamentos, principalmente os bloqueadores da testosterona. Sabemos que o tumor possui vários receptores para o hormônio, que estimula seu crescimento. Bloqueando a testosterona, conseguimos, frequentemente, uma regressão significativa da doença, que fica estabilizada durante muitos anos, embora não seja possível alcançar a cura. Muitas vezes, o paciente, já idoso, falece por outras causas, enquanto o câncer de próstata estava controlado.
- Prevenção e Estilo de Vida
Embora não seja possível prevenir completamente o câncer de próstata, adotar um estilo de vida saudável pode reduzir o risco:
- Alimentação Balanceada: Consumo de frutas, vegetais e grãos integrais.
- Atividade Física Regular: Exercícios aeróbicos e de força.
- Controle do Peso Corporal: Manter o peso saudável.
- Evitar o Tabagismo e o Consumo Excessivo de Álcool.
- Novembro azul e a importância da prevenção

O câncer de próstata é uma doença silenciosa em seus estágios iniciais, mas com detecção precoce, por meio de exames como PSA e toque retal, suas chances de tratamento bem-sucedido e sobrevida aumentam significativamente. Homens que mantêm acompanhamento médico regular e adotam hábitos de vida saudáveis têm maior proteção contra a doença e melhores resultados a longo prazo.
O Novembro Azul reforça a importância dessa atenção contínua, lembrando os homens da necessidade de cuidar da própria saúde e de realizar exames periódicos. A prevenção e o rastreio não devem ser ações pontuais, mas parte integrante da rotina de cuidado com a própria vida.
