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Burnout: o preço invisível de uma vida movida à alta perfomance

BURNOUT: O PREÇO INVISIVEL DE UMA VIDAMOVIDA À ALTA PERFOMACE.

 

“Sou Paula Regina, tenho 44 anos, empresária no ramo imobiliário e atuo há mais de uma década no mercado. Minha trajetória sempre foi construída com muito trabalho, disciplina e visão de crescimento. Ao longo dos anos, desenvolvi minha empresa, formei equipes, liderei processos e conquistei resultados importantes.

 

 

Sempre fui reconhecida como uma mulher forte, determinada e focada. Aquela que resolve, que sustenta, que dá conta. E, de fato, eu dava conta. Mas existe uma parte da minha história que ninguém vê. A parte silenciosa. A parte que não aparece nas fotos, nas conquistas ou nas redes sociais.

Durante muito tempo, vivi no automático. Assumi responsabilidades, abracei desafios e segui avançando sem parar. Como muitas mulheres, tentei ser tudo ao mesmo tempo — empresária, líder, mãe, mulher, dona de casa, suporte emocional e estrutura para todos ao meu redor.

E fui conseguindo. A empresa crescendo. Projetos acontecendo. Novas conquistas surgindo. Externamente, tudo parecia perfeito. Mas internamente… algo começou a mudar.

O cansaço deixou de ser físico. Ele se tornou emocional. Eu já não descansava de verdade. Minha mente não desacelerava. E, mesmo conquistando, eu já não conseguia sentiras emoções.

Sempre fui uma mulher de sonhos. Sempre tive metas, objetivos e desejos claros. E um dos maiores era conhecer Paris. Aquilo representava muito mais do que uma viagem. Era uma conquista pessoal. Um momento que eu imaginava viver com emoção, realização e gratidão.

E eu fui.

 

 

Estive diante de monumentos que sempre sonhei conhecer. Caminhei por lugares que antes só conhecia pela TV . Vivi aquilo que, por muito tempo, foi um sonho. Mas algo estava diferente. Eu estava ali mas não estava sentindo.

Não havia emoção.

Não havia encantamento.

Não havia o sabor da conquista.

Eu me sentia cansada, não via a hora de voltar para o Hotel. Diante de um sonho realizado, tudo parecia sem sentido. Naquele momento, eu ainda acreditava que era apenas um cansaço físico. Algo passageiro.

Mas hoje eu entendo com clareza: Ali o Burnout já estava se instalando. O Burnout não tira apenas a sua energia. Ele tira o brilho das conquistas. Ele desconecta você de si mesma. Ele faz com que até aquilo que você sempre desejou perca o sentido.

E talvez essa seja a parte mais difícil de entender. Porque, por fora, tudo está dando certo. Mas por dentro… você já não sente mais nada.

E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Mesmo na melhor fase da minha carreira, com projetos em andamento, crescimento acontecendo e novas conquistas surgindo, eu comecei a me perder dentro de mim. Eu não conseguia sair de casa. Responder clientes no WhatsApp se tornou um peso enorme.

Tomar decisões simples parecia impossível. Não gostava que me ligavam. Não ficava perto de alguém quando o assunto era trabalho, só de ouvir era agoniante. Tudo pesava.

E o mais difícil de admitir: Eu pensei em desistir do meu trabalho, achando que não seria mais possível continuar. Desistir mesmo estando no auge. Desistir mesmo com tudo “dando certo”.

Isso me assustou profundamente.

Porque eu entendi que o problema não era a falta de resultados. Era o excesso de carga. Meu corpo estava cansado. Minha mente estava exausta. E minha alma… desconectada.

Foi nesse momento que eu entendi que precisava buscar ajuda e busquei, o primeiro passo foi reconhecer que havia um problema ali, busquei ajuda de profissionais da área, o qual me deram o diagnóstico, os medicamentos foram importantes do tratamento inicial. Precisei de apoio familiar e contar com a minha equipe de trabalho.

E foi ali que tudo começou a mudar.

Eu, que sempre cuidei de tudo e de todos… precisei ser cuidada. E não foi fácil aceitar isso. 

Mas, aos poucos, fui permitindo que as pessoas ao meu redor também colocassem a mão na massa. Família, equipe, pessoas próximas — todos passaram a fazer parte desse processo.

Eu entendi que não precisava sustentar tudo sozinha. E, mais do que isso, compreendi algo libertador: Ser cuidada não me faz menos mulher. Não me faz menos mãe. Não me faz menos dona de casa. Não me faz menos esposa.

Pelo contrário. Me faz mais inteira. Me faz mais humana. Me faz mais consciente de que cuidar de mim também é uma responsabilidade. Porque quem cuida de tudo… também precisa, em algum momento, ser cuidada.

A partir dali, iniciei um processo de reconstrução. 

Reorganizei minha rotina. Revi minhas prioridades. Aprendi a delegar. Passei a respeitar meus limites. Entendi que não existe sucesso sustentável quando a mente está em colapso.

E que produtividade não pode custar a nossa saúde emocional. A superação do Burnout não acontece de forma imediata. Ela é construída aos poucos, com escolhas diárias. É um processo silencioso, profundo, que exige coragem. Hoje faço exercícios e pego mais leve comigo, menos cobrança.

E foi nesse caminho que eu entendi algo que transformou a minha vidaSer forte não é aguentar tudo calada. Ser forte é saber a hora de parar… e recomeçar.

Hoje, continuo sendo uma mulher forte. Mas de uma forma diferente. Mais consciente. Mais equilibrada. Mais leve.

Eu não ignoro mais os sinais. Eu não me cobro como antes. Eu não carrego mais tudo sozinha. Aprendi que equilíbrio não é um luxo. É uma necessidade.

 

 

E se existe algo que eu quero que outras mulheres entendam através da minha história é isso: Você não precisa provar força o tempo todo. Você não precisa dar conta de tudo sozinha. Você não precisa se perder para conquistar. 

Você pode pausar. Você pode pedir ajuda. Você pode se escolher. O Burnout não é fracasso. Ele é um alerta.

Um chamado para olhar para dentro. Um convite para reconstruir. 

Hoje, sigo construindo minha trajetória com mais clareza, mais consciência e mais respeito por mim mesma.

Porque no final, não se trata apenas de crescer, conquistar ou chegar mais longe.

Se trata de algo muito maior: Permanecer inteira durante todo o caminho.

Hoje já retornei as minhas atividades de forma leve, não estou curada, mais entendi que existe um processo a seguir e um deles é viver um dia de cada vez.

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